A minha viagem de regresso a mim

Passei a minha infância com uma ligação muito grande com a Natureza, quer no campo, quer na praia. E desde muito cedo considerei a Natureza como o templo de Deus, o Criador de tudo e todos.

Mas a dada altura da minha vida senti-me perdida, ou melhor, na verdade senti que tinha criado uma personagem. Alguém que surgiu por orientação de outros: educação, sociedade, família, escola…

Senti que a certo ponto do caminho perdi a minha genuinidade e deixei de de me identificar com o que me rodeava, entrando assim num estado de sonambulismo em que só o meu corpo estava presente. E o resto? Estava por aí algures a vaguear.

Durante anos carreguei aquela estante, cheia de toneladas de livros (emoções, sentimentos, traumas, indecisões…). O verdadeiro “põe para trás das costas e segue em frente que tudo passa”. Só que na verdade não ficou para trás. Ficou naquela estante, que foi sendo carregada ao longo dos anos. E arrastei o peso à medida que avançava.

Crescemos a ouvir que temos de ser positivos e olhar para a frente, que tudo se vai resolver… Blá, blá, blá! Mas depois esquecem-se de avisar que também é preciso lidar com o lado sombra. E tudo fica lá à espera de um dia para sair cá para fora.

O meu caminho de regresso a Casa iniciou no dia em decidi deixar de ir a direito, seguindo as setas e tabuletas que me foram colocando a vida toda. Decidi parar na encruzilhada da vida e quando parei levei com uma estante gigante em cima. Era tudo o que eu tinha vindo a guardar e a reprimir para o meu inconsciente

Quando parei, porque não aguentava mais o peso que sentia, levei com a monstruosa estante. Ai que dor! Sim foi, sim ainda é.

O nascimento do meu primeiro filho foi o que desencadeou. Querer ser uma boa mãe, foi o que me obrigou a parar e olhar para mim. Por outro lado, foi quando senti que estava a perder a minha identidade, a minha individualidade. Passei a ser só a mamã de… perdendo o meu nome próprio. 

Percebi que estava na hora de ser EU.

Numa conversa com a minha irmã, que estava já a fazer o seu caminho de regresso à sua essência, deu-me a conhecer o Reiki.

O quê? Uma massagem sem tocar? Só estar lá deitada a relaxar? OK está bem eu vou. 

Apesar de me sentir desde muito nova atraída pelo espiritual, confesso que inicialmente fiquei um pouco cética. Mas a verdade é que libertou algo em mim que estava preso com 30 mil chaves e chorei como nunca.

O reiki foi assim o primeiro passo.

O Reiki para mim foi um excelente ponto de partida para o meu novo caminho de autoconhecimento. O reiki obrigou-me a parar. Parar e olhar para mim. E perceber que não há mal nenhum com isso. 

A partir daqui fui fazendo o meu caminho.Umas vezes mais rápido. Outras vezes mais devagar. 

Nestes oito anos em que iniciei a minha viagem de regresso a mim, nasceu mais um filho, descobrimos que o nosso filho mais velho tem uma Perturbação do Espetro do Autismo, anteriormente conhecido por Síndrome de Asperger, mudei de casa e cidade, fiquei desempregada e mudei de trabalho duas vezes.

O desafio tem sido este: integrar no nosso dia a dia a jornada espiritual, o desenvolvimento pessoal e encontrar o equilíbrio. E principalmente acordarmos de manhã e sentirmo-nos felizes.

Nestes oito anos tive muitos altos e baixos.Mas com passinhos pequeninos fui descobrindo outras áreas e técnicas. E assim cheguei à meditação, ao xamanismo, às runas e mais recentemente ao sagrado feminino, entre outras.

 A comunicação e a escrita fez sempre parte da minha vida e estando ligada à área da Comunicação  e Marketing este projeto acabou por surgir de forma muito natural.

Esta partilha através do blog é assim mais um passo nesta minha jornada de autoconhecimento e regresso à minha essência. Este projeto é mais um passo na minha cura.

Sara

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